segunda-feira, 29 de junho de 2015

Depois de um ano

Passei um ano sem escrever...
Quisera tivesse sido um ano tranquilo, sem dores e esse blog ficasse definitivamente inativo. Não, não foi bem assim. Depois que retirei o umbigo ano passado os pontos infeccionaram e demoraram muito para cicatrizar. Foi um lenta recuperação, depois de alguns meses me recuperei e apesar de ter ficado sem muito equilíbrio, segui a vida sem umbigo. Era tão estranho andar sempre tombeante, eu não sabia que o umbigo era o centro gravitacional do corpo e quando não temos ele, ficamos com o equilíbrio comprometido, aprendi da pior forma. Mas apesar de não dever, nos acostumamos com coisas não muito boas e seguimos caminhando como dá. E eu segui, segui tentando trabalhar, segui tentando viver o mais normal possível, porém as dores na barriga nunca deixaram de existir. Ao contrário todos os dias elas aumentavam mais e mais, e deitar-me de bruços já não era uma tarefa possível. Outras coisas tornara-se muito difícil de se fazer: andar, usar roupas de cós (tirei definitivamente do meu guarda roupa shorts, saias, bermudas e calças jaens) , não conseguia nadar, não conseguia fazer trabalhos domésticos e todas as atividades diárias tornaram-se extremamente dolorosas. 
Não é fácil viver com dores. Primeiro é algo que muito entristece, pois lhe limita, impõe barreiras invisíveis e muitos acham que você não faz por preguiça, ou por não querer. Ah como é triste. Segundo porque ninguém gosta de alguém que passa 24 horas do dia com dores, se queixando. Então aprendi a dizer simplesmente: Estou bem. Está tudo bem e segui com minha dor. Tentando superar diariamente  a dor e não deixá-la me parar definitivamente. 
Diante de tanta dor voltamos aos médico e aos exames e nada era achado nos exames e nada passava a dor. O médico mandou que eu fosse para a academia malhar pois assim as dores acabariam, nunca fui alguém da geração saúde e academia, mas viver com dor não é coisa boa e lá fui eu para a  academia, já que o médico disse que fazendo atividades físicas meu corpo não sentiria tanta dor. Ledo engano, apesar do professor ser super cuidadoso e fazer uma série leve e muito tranquila, acabava passando muito mal e desmaiava fazendo os exercícios. Resultado o professor pediu para que eu não fosse mais, visto que eu acabava dando mais trabalho que malhando na academia. E seguimos com toda sorte de exames: endoscopia, colonoscopia, ultrassonografia do abdome total,  ultrassonografia pélvica, ultrassonografia transvaginal, tomografia do abdome, ressonância  magnética do abdome e nada dava nada, nada dizia o que causava tanta dor. E o tempo passando e uma vida cheia de limitações estava me fazendo cansada ... mas a vida não para para resolvermos nossos problemas.
Conversando com meu médico resolvemos que seria necessário uma nova cirurgia exploratória para descobrirmos o motivo de tanta dor, dor que várias vezes  levou-me a internamentos hospitalares sem descobrir o que eu tinha e o que causava tanta dor...
No dia 12 de junho de 2015 internei-me mais uma vez no Hospital Português para realizar mais uma cirurgia. A 16ª da minha vida. Puxa 16 são muitas... mas vamos lá, é a esperança de ser a última que me encoraja, é a fé em Deus que me trás segurança, é a certeza do encontro com meu Senhor que me trás paz. Acredito que Deus não permitirá mais tanto sofrimento, tanta dor. 
Entrei no centro cirúrgico as 10hs e 30min e  saí as 16hs e 30min   e só retornei ao quarto as 17hs e 45 min. E quanta coisa diferente do programado aconteceu.
Além da cirurgia  demorar mais do que o esperado eu estava com um grande corte em meu abdome do lado direito, cerca de 20cm, além de 5 outras pequenas incisões. O médico explicou-me que ao fazer a laparoscopia foi detectado muitas aderências que foram desfeitas e um grande cisto no ovário esquerdo que estava com um emaranhado de fibras ligando aos intestinos o que para a retirada precisou ser cortado e eu tive uma laceração entre o intestino delgado e o grosso e por isso eu estava com aquele corte tão grande e a cirurgia tinha demorado tanto. Pensei comigo, obrigada Deus por ter mostrado o que era. Não senti desespero com a situação apesar da situação nova, senti paz no meu coração, pois creio que agora as dores acabarão. 
Como todo pós operatório existe as coisas chatas: comida pastosa, leve, não posso fazer esforço, tenho que conviver com um pouco de desconforto causado pelo corte, mas tudo está caminhando bem, está tudo cicatrizando bem e dia 01/07/2015 estarei tirando os pontos. Creio que Deus mostrou o que estava causando tanta dor. Tenho fé que a dor acabará. Deus é meu Senhor e em sua palavra diz que as lágrimas podem durar uma noite, mas o sol vem pela manhã. É tempo de cura, é tempo de recomeçar e estou feliz por isso. 
Depois de um ano a esperança se renova. Chega de sofrer.