Há algum tempo tenho sentido muitas dores de cabeça. Não são dores de cabeça como as que sempre tive. As horríveis enxaquecas! Não, essas eu já estava acostumada: dor só de um lado, latejante, com fotofobia, vômitos, essa dor eu já estava acostumada e fazia alguns anos que não tinha essa dor.E estava acostumada pois sofrir com elas toda a minha adolescencia até os 27 anos.Passei muito tempo sem tê-la e para ser mais exata, enxaqueca, faz mais de três anos que eu não tinha nem uma, por mais fraca que fosse.
No entanto, há mais de um ano tenho tido dores localizadas, sempre bem demarcadas, na frente da cabeça, 90% das vezes no lado direito. Dores fortes que sempre combati com analgésicos. Inicialmente um bastava para diminuir a dor. Como tenho uma vida super estressante, pensava que as dores eram por causa do dia-a-dia corrido e cheio de preocupações.
No ano passado as dores ficaram cada vez mais frequentes. Doses cada vez maiores de remédios e nada da dor passar. Como estava enfrentando um problema grave em minha família (descobrir que meu filho único é bipolar) achei que as dores eram porque eu não dormia direito, vivia em constante espectativa de crise e trabalhava cerca de 15 horas por dia, apenas ia aumentando as doses dos analgésicos. Chegando a tomar três comprimidos de vez.
Em novembro de 2010, senti uma dor tão forte que fui ao Hospital Luiz Argolo e ao fazer a consulta o médico solicitou uma ressônancia do crânio, exame este que eu não tive tempo de fazer.
No dia 11 de março de 2011, cheguei na escola onde trabalho as sete horas e comecei minha rotina. Liguei o computador e comecei a tentar fazer minhas atividades. Passei a sentir como se umas luzes estivessem brilhando em toda a sala. Achei estranho, o meu olho esquerdo começou a doer com muita força. E as luzes foram diminuindo e a dor aumentando. Uma dor insuportável no olho esquerdo, na parte da frente da cabeça, tontura, meu braço esquerdo totalmente sem força e meu braço direito estava dormente. Deitei um pouco na minha sala. Ao levantar vomitei muito e parei de enxergar com o olho esquerdo. Foi a pior sensação que já senti. Ligaram para o meu marido, este veio me buscar e ao saimos para o Hospital eu estava muito tonta, sem enxergar, sem forças no braço esquerdo e dormencia no lado direito. Pensei que estava tendo um AVC.
Graças a Deus, não foi isso! Ao chegar no Hospital,âs 9:05 os médicos fizeram alguns exames clínicos visuais e encaminhou-me para a UTI. A dor de cabeça não parava. Tomei morfina, e um monte de outros medicamentos eas dores continuavam. Foi estranho, as dores não passavam e por mais que os médicos me dessem remédios a dor não cedia. A tarde um médico pediu uma ressonância magnética do crânio., que foi feita na emergência e detectou cistos na parte frontal direita, na parte branca profunda. Um cachinho de uvas, como falou o médico. Os cistos tinham cerca de 0,7mm cada um e eu deveria acompanhar a evolução destes cistos. Fiquei assustada mas procurei manter a calma, pensava muito em meu filho de 9 anos e minha mãe. Fiquei na UTI por mais de 27 horas. Tive alta da UTI e fui para o apartamento, as dores não passavam, a dormencia no braço ocilava do lado direito para o braço esquerdo. Eu continuava tonta. Fiquei assim por mais de 4 dias. Na noite do 5 dia um neurologista veio me ver. Olhou os exames e disse que se os cistos crescessem eu deveria me preocupar e procurar operar, agora era só cuidar, pois eu tinha apenas uma enxaqueca. Me deu alta (isso eu adorei), mesmo com muita dor de cabeça e tonta. Fui para casa e continuei sentindo dor. Resolvemos que eu deveria ir para Salvador ouvi outro neurologista.
No dia que eu viajei, senti tanta dor que tomei no trajeto cerca de 6 comprimidos para dor. Ah!!! esqueci de dizer que o neurologista que me deu alta não passou nada de remédio para mim. Cheguei em Salvador e fui para casa da minha cunhada, quase morrendo de dor. Estava com uma consulta marcada para o dia seguinte.
Na terça feira, quando me arrumava para ir ao médico a dor de cabeça começou muito forte, meu braço esquerdo estava dormente e formigando e o braço direito sem força, estava tonta e comecei a vomitar. Fui levada as pressas para o Hospital do Aeroporto e fiquei internada lá o dia inteiro. Fiz uma tumografia pois os médicos pensaram em AVC de novo, falei dos cistos, o médico sinalizou que eu deveria procurar um neurologista com uma certa urgência. Como as dores não passaram tive que retornar a SAJ e tentar remarcar o neurologista.
No dia 25de março depois de peregrinar pelo Hospitl com várias crises consegui marcar uma consulta com Dr. Eduardo Cardoso, hoje meu médico, pois conseguiu sinalizar uma situação. Ele disse que eu tinha sim uma enxaqueca muito complicada, mas as dores não sinalizavam enxauqueca, Disse que deveriamos acompanhar as dores de cabeça com um diário de dor, aguardar um tempo para repetirmos os exames.
Gostei dele, passou-me confiança. E apesar de continuar sentindo dores diárias estava mais confiante, pois alguém sinalizou um remédio para acabar com as dores (era essa a minha esperança) e fazer um tratamento sério, sem essa história de que não é nada. Sete cistos dentro da cabeça e não é nada? Isso é loucura! Saí do consultório disposta a cumprir o tratamento a risca e fazer o que o Dr. Eduardo havia mandado. Daí surgiu esse blog, ele será o registro de tudo que tem acontecido. Meus medos e rotina.
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